sábado, 30 de julho de 2016

DIFERENÇAS ENTRE A LITERATURA INFANTIL E O LIVRO DIDÁTICO

Ricardo Azevedo, conhecido autor e ilustrador da Literatura Infantil explicita as diferenças entre a Literatura infantil e o Livro didático.  



LITERATURA INFANTIL                                              


  •  Veiculo da arte.     
  •  Utiliza a ficção (fala da verdade inventada e não da ocorrida de  fato).
  •  Linguagem poética (que costuma ser lúdica, conotativa, ambígua,  preocupada  com ritmo, sonoridade, invenção de palavras,  trocadilhos).
  •  Motivação estética (preocupada com a diversão, prazer).
  •  Representa uma subjetiva especulação (ponto de vista subjetivo,  afetivo,  particular, diversas possibilidades de leitura e atribuição  de significado).

  • Uma forma de conhecimento, de compreensão da vida e do mundo  (vinculada a noção de fantasia, do maravilhoso, do sublime, da  analogia, o riso, a metáfora, a paródia, a tragédia, a intuição, a  aventura, o imensurável, o desconhecido).
                    
Tirinhas bem humoradas de Eva Furnari. 
LIVRO DIDÁTICO

  • Veículo da ciência.
  • Traz informação objetiva, conceitos gerais, leis e regras, noções consensuais e oficiais.
  • Linguagem rigorosa, científica,  apresenta  fatos.
  • Utiliza-se da ficção de forma utilitária (tem uma mensagem única: ensinar determinado conceito/tema).
  • Remete ao conhecimento científico, aos valores e regras estabelecidos.
  • Representa uma lição, sobre determinado conteúdo.
  • Conhecimento utilitário, objetivo, ligado ao pensamento científico importante  na sala de aula.
                                                                         AZEVEDO. Ricardo. Livros didáticos e livros de literatura:                                                                          chega de confusão. Revista Presença Pedagógica. BH:                                                                                Ed. Dimensão, 1999. nº 25.

É importante que as professoras atentem para essas diferenças, de modo que os livros de literatura infantil não venham a se enquadrar na dimensão pragmática, pois a função das histórias para criança é a estético-formativa, a educação da sensibilidade, reunindo a beleza da palavra e das imagens. O essencial é a qualidade da emoção. (Lúcia Pimentel Goes, 1991). 
Para que uma história prenda a atenção das crianças, esta deve despertar sua curiosidade, enriquecer sua vida e estimular sua imaginação.   

quinta-feira, 14 de julho de 2016

SER DIFERENTE

        Rebeca nasceu primeiro. era uma menininha de cabelo cacheado, magrela e de pouca fala. Flora, ao contrário, nasceu três anos depois, cabelo escorrido e muito louro, gasguita de tão falante que era. Elas são filhas do mesmo pai, mas de mães diferentes: cada uma tem a sua.
         Duas mães bem diferentes! A de Rebeca, mais jovem, é casada com outra pessoa, cuida da casa e nunca viveu com seu pai, apenas namorou algum tempo e então Rebeca nasceu. Já a mãe de flora, tinha trinta e nove anos quando ela nasceu, é professora, muito ativa e já teve outro casamento. Seu relacionamento com o pai de Flora e Rebeca já dura há alguns anos. 
         No meio disso tudo, o pai das meninas, um senhor de certa idade, professor, baixinho, e quase calmo quando se trata de questões mais delicadas. Um tipo de pai que é mãe!
         As meninas sabem que suas mães não desenvolveram amizade. O que o importa mesmo é que Flora e Rebeca se gostam muito, embora vivendo em casa diferentes e tendo mães diferentes. Quando elas se encontram nos finais de semana encontram tempo para conviver, brincar e aprender a se relacionar. 
         Flora tem cinco irmãos: Cristina e Vany são mais velhas, parecem mães dela. São filhas de outro casamento. Roberto e Catarina são filhos do pai com outra mulher. E tem Rebeca, nascida entre um casamento e outro do pai. 
        Cada filho mais diferente que o outro! E quando junta todo mundo, aí é que dá para notar! 
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       Um dia desses, em que o céu estava azul e a água do riacho morninha, as duas meninas estavam  brincando, quando ouviram um barulho no mato:
- Nossa Flora, tem bicho aí!
- Que nada, Re. Isso é bichinho pequeno. Não inventa monstro,tá?
- Ui! Um homem, olha lá! Vamos correr! 
- Não precisa correr, estamos no quintal de nossa casa. Vamos perguntar o que ele quer. Vai ver que quer falar com nosso pai.
       O homem se aproxima. É baixinho, tem ar sereno, porém muito magro e totalmente sem cabelos. 
- O senhor deseja falar com alguém? - perguntou Flora.
- Quem é o senhor? Vai chegando assim... nao bate palma. - falou Rebeca desconfiada. 
- Não se assustem, sou de outro planeta e não vou demorar. Nosso planeta tem procurado contato com seres diferentes de nós no jeito de ser. Por gostar do planeta Terra estamos sempre por aqui. Cheguei hoje e percebi que vocês tem um modo diferente de conviver. 
- Como? - falou Flora toda curiosa.
- Pela conversa que ouvi ali atrás da árvore, vocês não tem a mesma mãe, mas tem o mesmo pai, tem irmãos por parte de pai, mas não de mãe e tem irmãos por parte de mãe, mas não de pai. Como é isso? Fiquei muito curioso, e então resolvi me apresentar mesmo correndo o risco de vocês se assustarem - disse o homem.
- É, mas você é bem parecido com a gente, só tem umas coisinhas estranhas, mas tudo bem. Você já está aí e nós já vimos que você é mesmo muito curioso! Senta aqui que nós vamos te contar tudinho! - falou flora. 
- No meu planeta não sentamos; ficamos em pé ou deitamos.
- Credo, que canseira! - murmurou Flora.
          As meninas ficaram um tempão explicando como era a família delas. Pergunta pra lá, pergunta pra cá, no final do papo as meninas viram o homem silencioso e pensativo.
- Você entendeu como as coisas acontecem aqui na Terra? perguntou Rebeca.
- Na Terra há modos diferentes de viver e de formar uma família.
        Explicam... Explicam...
- Estou confuso! No meu planeta esse tipo de situação não acontece. Quando vivemos com alguém é para o milênio e, além disso não temos tantos filhos. Tudo é controlado.
- Milênio? - pergunta Flora.
- É, vivemos mil anos e depois voltamos a ser partículas do universo. Por vivermos muito, não é possível ter tanta gente nascendo. O ciclo de vida é mais longo para nós.
- Tá vendo, vocês são diferentes de nós. Não vivemos tanto tempo assim - observa Flora.
         Rebeca fala com conhecimento das coisas: 
- Se você andar mais um pouco pela Terra, vai conhecer modos diferentes de viver em família, coisa que nem a gente que vive aqui conhece muito bem. Ouvimos falar...
- Faz o seguinte, você anda por aí mais um pouco e sempre que você conhecer uma família que vive de um jeito diferente, vem contar pra gente - foi logo dizendo Flora.
- Prometo! - garantiu ele.
         Com o irmão  Roberto se aproximando, o homem sumiu como por encanto.
- Que animação é essa? Do que estavam falando? 
- Nóóós...? - exclamaram em coro.
- Sempre falamos de coisas muito sérias! Coisas que os adultos custam a entender, né Flora? 
- É... 
          As duas meninas caíram na risada.

Em julho de 1988 escrevi este conto infantil, motivada pela filharada que se reunia em nossa casa. 

Sugestão de livro

Um livro que recomendo para o trabalho pedagógico com as crianças é: FOLCLORE INFANTIL, cuja autor é Veríssimo de Melo, publicado pela editora Itatiaia Limitada.
Discípulo de Câmara Cascudo, o autor faz uma retomada da tradição folclórica brasileira, apresentando acalantos, parlendas, travalínguas, advinhas, jogos populares e cantigas de roda.

Veríssimo mostra nesta obra a importância de mantermos  vivas as manifestações folclóricas por seu valor educativo na formação da criança.