terça-feira, 26 de março de 2019

POESIA PARA CRIANÇAS: LEITURA COM SENSIBILIDADE

OBJETIVOS: 
- Desenvolver a sensibilidade e a capacidade de ouvir, falar, ler e escrever textos poéticos.
- Oferecer, de forma prazerosa, o exercício da leitura, estimulando a percepção sensorial e o espírito poético.

Para que serve a Poesia?
Atividade do pensamento humanoque se expressa por meio da palavra. A poseia nos convida a viver a realidade de uma forma toda especial, a  expressar as manifestações de fantasiar, dar tratos à imaginação e aos sonhos que povoam nossos pensamentos, retrato de nossos desejos. Cada um de nós tem um poeta adormecido em nosso interior,  e temos em nossa memória poemas que declamamos quando crianças, nas festas da escola ou da igreja.
LEITURA de poesia é um ato de criação e (re)criação, pois ler o poema é necessariamente buscar sentidos entre os vários possíveis.
O desenvolvimento da sensibilidade para o texto poético está ligado ao desenvolvimento  da criatividade, da expressão e compreensão da linguagem como representação da experiência humana e, seu exercício realizado em cada leitura comporta possibilidades de participação no texto do outro, pelo jogo duplo de receber e refazer o texto.  A POESIA fala  de emoções, sentimentos vividos como a ternura, a saudade, tristezas e alegrias que foram sentidas por alguém.

ASPECTOS RELEVANTES DA POESIA PARA CRIANÇAS

Ler um poema, tal como ler qualquer texto é encontrar sentido, ou seja, interagir verbalmenteao mesmo tempo que apreender as palavras e seus multiplos sentidos. Uma poesia, para ser dita implica numa diversidade de estruturas acentuais, rítmicas (que envolve a respiração), mediante as quais se conquista a librdade do dizer, e do domínio da palavra.
A poesia exige introspecção, porque condensa múltiplos sentidos num espaço gráfico mínimo, graças aos processos de realce dos signos. Portanto,  o poema exige do seu leitor um olhar atento à página, uma mobilização do conteúdo intelectual e afetivo preexistnete ao contato, um ajustamento contínuo de emoções, desejos juízos e avaliações, à medida em que a leitura progride.   

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

ILUSTRAÇÃO DO LIVRO IMNFANTIL

Esta apresentação faz parte do meu acervo de aulas ministradas no
Curso de Pedagogia - regular e NEAD - da Universidade Federal de Mato Grosso. Mostrarei alguns aspectos da variedade de técnicas usadas na ilustração de livros da literatura infantil. Desejo contribuir com as professoras e professores no sentido de promover melhor compreensão do objeto livro literário infantil, pois ele é um instrumento para a formação de leitores proficientes desde o início da escolarização, promovendo o que hoje chamamos de letramento literário. 
  
CONCEITO DE ILUSTRAÇÃO

Ilustração é toda a imagem que acompanha um textodesenho, pintura, fotografia, gráfico.

IMPORTÂNCIA DA ILUSTRAÇÃO NO LIVRO LITERÁRIO INFANTIL
A ilustração estabelece com o texto uma relação semântica (de sentido).
A linguagem pictórica conta estória.
“Antes mesmo que a criança se exprima por palavras, ela é sensível a imagens” (François Faucher).
O CÓDIGO PICTÓRICO É UMA REPRESENTAÇÃO SEMICONCRETA, CONSTITUINDO-SE NUMA COMUNICAÇÃO MAIS DIRETA DO QUE O CÓDIGO VERBAL ESCRITO QUE SE REPRESENTA DE FORMA ABSTRATA (WERNECK, 1986).
A ILUSTRAÇÃO É MAIS IMPORTANTE DO QUE O TEXTO PARA A CRIANÇA PEQUENA E PARA O JOVEM ANALFABETO OU SEMI-ALFABETIZADO.
Ela confere ao livro, além do seu valor estético, o apoio, a pausa e o devaneio tão importantes numa leitura criadora.
    Leitura Criadora é o resultado da percepção única e individual, graças às combinações  perceptivas que se realizam e que fazem com que nunca uma pessoa descreva o que leu exatamente como o outro (Werneck, 1986, p. 148). 
     Ludmila Zeman. Técnica: aquarela, nanquim e lápis de cor sobre papel.

O QUE É ILUMINURA?
É uma espécie de pintura de cores que representa pequenas figuras, flores, ornamentos,em forma de miniatura, com que na Idade Média se adornavam as letras capitais e outras partes dos livros e manuscritos em pergaminho.
                               
                                                        Reconto de Hans Gartner e Lisbeth Zwerger. 12                                                                  Fábulas de Esopo. Atica, 1989.
O QUE É VINHETA? 
Uma ilustração pequena que ornamenta a página, colocada no princípio, fim  de qualquer divisão ou subdivisão do texto. Serve de ornato ou explicação ao texto. 

 Regina Chamlian. A hora da caiporaIlustrações Helena  Alexandrino.

Lia Zatz. Suriléiamãemonstrinha. 13a. ed. Paulus. Ilustrações Eva Furnari. 


O  QUE É CAPITULAR?  
É a letra com que se inicia um capítulo ou poema para destacar e ornamentar. 
A hora da caipora. Regina Chamlian. Iliustrações Helena Alexandrino. Ätica

                     
Céu de Passarinhos. Carlos Brandão. Companhia das Letrinhas. Ilustrações Bordados irmãs Dumont.







sábado, 30 de julho de 2016

DIFERENÇAS ENTRE A LITERATURA INFANTIL E O LIVRO DIDÁTICO

Ricardo Azevedo, conhecido autor e ilustrador da Literatura Infantil explicita as diferenças entre a Literatura infantil e o Livro didático.  



LITERATURA INFANTIL                                              


  •  Veiculo da arte.     
  •  Utiliza a ficção (fala da verdade inventada e não da ocorrida de  fato).
  •  Linguagem poética (que costuma ser lúdica, conotativa, ambígua,  preocupada  com ritmo, sonoridade, invenção de palavras,  trocadilhos).
  •  Motivação estética (preocupada com a diversão, prazer).
  •  Representa uma subjetiva especulação (ponto de vista subjetivo,  afetivo,  particular, diversas possibilidades de leitura e atribuição  de significado).

  • Uma forma de conhecimento, de compreensão da vida e do mundo  (vinculada a noção de fantasia, do maravilhoso, do sublime, da  analogia, o riso, a metáfora, a paródia, a tragédia, a intuição, a  aventura, o imensurável, o desconhecido).
                    
Tirinhas bem humoradas de Eva Furnari. 
LIVRO DIDÁTICO

  • Veículo da ciência.
  • Traz informação objetiva, conceitos gerais, leis e regras, noções consensuais e oficiais.
  • Linguagem rigorosa, científica,  apresenta  fatos.
  • Utiliza-se da ficção de forma utilitária (tem uma mensagem única: ensinar determinado conceito/tema).
  • Remete ao conhecimento científico, aos valores e regras estabelecidos.
  • Representa uma lição, sobre determinado conteúdo.
  • Conhecimento utilitário, objetivo, ligado ao pensamento científico importante  na sala de aula.
                                                                         AZEVEDO. Ricardo. Livros didáticos e livros de literatura:                                                                          chega de confusão. Revista Presença Pedagógica. BH:                                                                                Ed. Dimensão, 1999. nº 25.

É importante que as professoras atentem para essas diferenças, de modo que os livros de literatura infantil não venham a se enquadrar na dimensão pragmática, pois a função das histórias para criança é a estético-formativa, a educação da sensibilidade, reunindo a beleza da palavra e das imagens. O essencial é a qualidade da emoção. (Lúcia Pimentel Goes, 1991). 
Para que uma história prenda a atenção das crianças, esta deve despertar sua curiosidade, enriquecer sua vida e estimular sua imaginação.   

quinta-feira, 14 de julho de 2016

SER DIFERENTE

        Rebeca nasceu primeiro. era uma menininha de cabelo cacheado, magrela e de pouca fala. Flora, ao contrário, nasceu três anos depois, cabelo escorrido e muito louro, gasguita de tão falante que era. Elas são filhas do mesmo pai, mas de mães diferentes: cada uma tem a sua.
         Duas mães bem diferentes! A de Rebeca, mais jovem, é casada com outra pessoa, cuida da casa e nunca viveu com seu pai, apenas namorou algum tempo e então Rebeca nasceu. Já a mãe de flora, tinha trinta e nove anos quando ela nasceu, é professora, muito ativa e já teve outro casamento. Seu relacionamento com o pai de Flora e Rebeca já dura há alguns anos. 
         No meio disso tudo, o pai das meninas, um senhor de certa idade, professor, baixinho, e quase calmo quando se trata de questões mais delicadas. Um tipo de pai que é mãe!
         As meninas sabem que suas mães não desenvolveram amizade. O que o importa mesmo é que Flora e Rebeca se gostam muito, embora vivendo em casa diferentes e tendo mães diferentes. Quando elas se encontram nos finais de semana encontram tempo para conviver, brincar e aprender a se relacionar. 
         Flora tem cinco irmãos: Cristina e Vany são mais velhas, parecem mães dela. São filhas de outro casamento. Roberto e Catarina são filhos do pai com outra mulher. E tem Rebeca, nascida entre um casamento e outro do pai. 
        Cada filho mais diferente que o outro! E quando junta todo mundo, aí é que dá para notar! 
............................................................................................................................................
       Um dia desses, em que o céu estava azul e a água do riacho morninha, as duas meninas estavam  brincando, quando ouviram um barulho no mato:
- Nossa Flora, tem bicho aí!
- Que nada, Re. Isso é bichinho pequeno. Não inventa monstro,tá?
- Ui! Um homem, olha lá! Vamos correr! 
- Não precisa correr, estamos no quintal de nossa casa. Vamos perguntar o que ele quer. Vai ver que quer falar com nosso pai.
       O homem se aproxima. É baixinho, tem ar sereno, porém muito magro e totalmente sem cabelos. 
- O senhor deseja falar com alguém? - perguntou Flora.
- Quem é o senhor? Vai chegando assim... nao bate palma. - falou Rebeca desconfiada. 
- Não se assustem, sou de outro planeta e não vou demorar. Nosso planeta tem procurado contato com seres diferentes de nós no jeito de ser. Por gostar do planeta Terra estamos sempre por aqui. Cheguei hoje e percebi que vocês tem um modo diferente de conviver. 
- Como? - falou Flora toda curiosa.
- Pela conversa que ouvi ali atrás da árvore, vocês não tem a mesma mãe, mas tem o mesmo pai, tem irmãos por parte de pai, mas não de mãe e tem irmãos por parte de mãe, mas não de pai. Como é isso? Fiquei muito curioso, e então resolvi me apresentar mesmo correndo o risco de vocês se assustarem - disse o homem.
- É, mas você é bem parecido com a gente, só tem umas coisinhas estranhas, mas tudo bem. Você já está aí e nós já vimos que você é mesmo muito curioso! Senta aqui que nós vamos te contar tudinho! - falou flora. 
- No meu planeta não sentamos; ficamos em pé ou deitamos.
- Credo, que canseira! - murmurou Flora.
          As meninas ficaram um tempão explicando como era a família delas. Pergunta pra lá, pergunta pra cá, no final do papo as meninas viram o homem silencioso e pensativo.
- Você entendeu como as coisas acontecem aqui na Terra? perguntou Rebeca.
- Na Terra há modos diferentes de viver e de formar uma família.
        Explicam... Explicam...
- Estou confuso! No meu planeta esse tipo de situação não acontece. Quando vivemos com alguém é para o milênio e, além disso não temos tantos filhos. Tudo é controlado.
- Milênio? - pergunta Flora.
- É, vivemos mil anos e depois voltamos a ser partículas do universo. Por vivermos muito, não é possível ter tanta gente nascendo. O ciclo de vida é mais longo para nós.
- Tá vendo, vocês são diferentes de nós. Não vivemos tanto tempo assim - observa Flora.
         Rebeca fala com conhecimento das coisas: 
- Se você andar mais um pouco pela Terra, vai conhecer modos diferentes de viver em família, coisa que nem a gente que vive aqui conhece muito bem. Ouvimos falar...
- Faz o seguinte, você anda por aí mais um pouco e sempre que você conhecer uma família que vive de um jeito diferente, vem contar pra gente - foi logo dizendo Flora.
- Prometo! - garantiu ele.
         Com o irmão  Roberto se aproximando, o homem sumiu como por encanto.
- Que animação é essa? Do que estavam falando? 
- Nóóós...? - exclamaram em coro.
- Sempre falamos de coisas muito sérias! Coisas que os adultos custam a entender, né Flora? 
- É... 
          As duas meninas caíram na risada.

Em julho de 1988 escrevi este conto infantil, motivada pela filharada que se reunia em nossa casa. 

Sugestão de livro

Um livro que recomendo para o trabalho pedagógico com as crianças é: FOLCLORE INFANTIL, cuja autor é Veríssimo de Melo, publicado pela editora Itatiaia Limitada.
Discípulo de Câmara Cascudo, o autor faz uma retomada da tradição folclórica brasileira, apresentando acalantos, parlendas, travalínguas, advinhas, jogos populares e cantigas de roda.

Veríssimo mostra nesta obra a importância de mantermos  vivas as manifestações folclóricas por seu valor educativo na formação da criança. 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sugestão de livro

Literatura Infantil: gostosuras e bobices de Fanny Abramovich é um livro essencial para professores que lecional para o ensino fundamental.



terça-feira, 31 de maio de 2016

DECÁLOGO PARA O ENSINO DA LITERATURA INFANTIL

Eliane Yunes no Guia de Leitura/Ciranda de Livros editado pelo MEC, apresenta 10 itens que julgo da maior importância, quando se trata de formar leitores. Vamos a eles:

1) Era uma vez... Desenvolver na criança a capacidade de ouvir histórias e contar muitas, muitas histórias.

2) Eu falo, tu falas, nós falamos.
Na "hora da literatura", é proibido proibir falar. Toda criança deve ter a oportunidade de recontar as histórias lidas/ouvidas, além de criar as suas.

3) Em cena: ação.
Sempre que possível, encenar, pelo menos, capítulos dos livros em sala de aula; tipo leituras de peças, sem requintes e afetação. Dramatizar ajuda a desembaraçar o nível de expressão, descobrir a musicalidade, o ritmo da linguagem.
 
4) Abaixo a teoria.
Criança não precisa saber se o narrador é de primeira ou terceira pessoa, se existe personagem protagonista ou antagonista. A abordagem não deve ser colocada em termos de nomenclatura, mas em termos de compreensão das relações.

5) Literatura não é pedagogia.
O exercício da literatura deve ser lúdico e conduzir ao PRAZER, e nunca se converter em espaço de imitação mecânica. Quem não gosta, pode aprender a gostar quando descobrir o universo do texto como distinto das matérias de aprendizagem curricular. 

6) Prova, nunca mais!
Se devemos ter uma linha de aproveitamento do aluno, certamente não serão provas e averiguações que poderão assegurar a eficácia do trabalho. Toda avaliação da leitura será indireta.

7) Livro não é castigo.
A escola deve proporcionar MOTIVAÇÃO para a leitura. Descobrir este PRAZER é fundamental, longe das exigências e repressões. O livro deve estar à mão e jamais se converter em castigo subsequente às desordens em sala de aula.

8) Eleição é obrigação. 
A professora, antes de dar o livro deve levantar o assunto e o tema de duas ou três obras e pedir que os alunos elejam a leitura comum. Isso faz com que participem desde o início do processo de leitura.

9) Renovar é preciso.
Se a professora souber distinguir literatura e arte de pedagogia e aprendizagem, se souber distinguir ideologia repressora de uma reflexão libertadora, não há por que temer o novo e repetir indefinidamente os velhos (ainda bons) autores.

10) Leitura é co-produção
Não é obrigar o aluno inicialmente a ler sozinho: será difícil manter a concentração e o ritmo. Assinalar a visão do autor, verificar a visão dos leitores e discutir, a partir do texto, as relações entre ARTE e VIDA: você vai descobrir que um texto são mil textos.  

Nicolas, meu neto aos quase três anos, descobrindo o prazer da leitura, mesmo sem saber ler.
Fase ideal para oportunizar o contato com a literatura infantil. 
Foto: Ana Arlinda de Oliveira