segunda-feira, 1 de agosto de 2016

ILUSTRAÇÃO DO LIVRO IMNFANTIL

Esta apresentação faz parte do meu acervo de aulas ministradas no
Curso de Pedagogia - regular e NEAD - da Universidade Federal de Mato Grosso. Mostrarei alguns aspectos da variedade de técnicas usadas na ilustração de livros da literatura infantil. Desejo contribuir com as professoras e professores no sentido de promover melhor compreensão do objeto livro literário infantil, pois ele é um instrumento para a formação de leitores proficientes desde o início da escolarização, promovendo o que hoje chamamos de letramento literário. 
  
CONCEITO DE ILUSTRAÇÃO

Ilustração é toda a imagem que acompanha um textodesenho, pintura, fotografia, gráfico.

IMPORTÂNCIA DA ILUSTRAÇÃO NO LIVRO LITERÁRIO INFANTIL
A ilustração estabelece com o texto uma relação semântica (de sentido).
A linguagem pictórica conta estória.
“Antes mesmo que a criança se exprima por palavras, ela é sensível a imagens” (François Faucher).
O CÓDIGO PICTÓRICO É UMA REPRESENTAÇÃO SEMICONCRETA, CONSTITUINDO-SE NUMA COMUNICAÇÃO MAIS DIRETA DO QUE O CÓDIGO VERBAL ESCRITO QUE SE REPRESENTA DE FORMA ABSTRATA (WERNECK, 1986).
A ILUSTRAÇÃO É MAIS IMPORTANTE DO QUE O TEXTO PARA A CRIANÇA PEQUENA E PARA O JOVEM ANALFABETO OU SEMI-ALFABETIZADO.
Ela confere ao livro, além do seu valor estético, o apoio, a pausa e o devaneio tão importantes numa leitura criadora.
    Leitura Criadora é o resultado da percepção única e individual, graças às combinações  perceptivas que se realizam e que fazem com que nunca uma pessoa descreva o que leu exatamente como o outro (Werneck, 1986, p. 148). 
     Ludmila Zeman. Técnica: aquarela, nanquim e lápis de cor sobre papel.

O QUE É ILUMINURA?
É uma espécie de pintura de cores que representa pequenas figuras, flores, ornamentos,em forma de miniatura, com que na Idade Média se adornavam as letras capitais e outras partes dos livros e manuscritos em pergaminho.
                               
                                                        Reconto de Hans Gartner e Lisbeth Zwerger. 12                                                                  Fábulas de Esopo. Atica, 1989.
O QUE É VINHETA? 
Uma ilustração pequena que ornamenta a página, colocada no princípio, fim  de qualquer divisão ou subdivisão do texto. Serve de ornato ou explicação ao texto. 

 Regina Chamlian. A hora da caiporaIlustrações Helena  Alexandrino.

Lia Zatz. Suriléiamãemonstrinha. 13a. ed. Paulus. Ilustrações Eva Furnari. 


O  QUE É CAPITULAR?  
É a letra com que se inicia um capítulo ou poema para destacar e ornamentar. 
A hora da caipora. Regina Chamlian. Iliustrações Helena Alexandrino. Ätica

                     
Céu de Passarinhos. Carlos Brandão. Companhia das Letrinhas. Ilustrações Bordados irmãs Dumont.







sábado, 30 de julho de 2016

DIFERENÇAS ENTRE A LITERATURA INFANTIL E O LIVRO DIDÁTICO

Ricardo Azevedo, conhecido autor e ilustrador da Literatura Infantil explicita as diferenças entre a Literatura infantil e o Livro didático.  



LITERATURA INFANTIL                                              


  •  Veiculo da arte.     
  •  Utiliza a ficção (fala da verdade inventada e não da ocorrida de  fato).
  •  Linguagem poética (que costuma ser lúdica, conotativa, ambígua,  preocupada  com ritmo, sonoridade, invenção de palavras,  trocadilhos).
  •  Motivação estética (preocupada com a diversão, prazer).
  •  Representa uma subjetiva especulação (ponto de vista subjetivo,  afetivo,  particular, diversas possibilidades de leitura e atribuição  de significado).

  • Uma forma de conhecimento, de compreensão da vida e do mundo  (vinculada a noção de fantasia, do maravilhoso, do sublime, da  analogia, o riso, a metáfora, a paródia, a tragédia, a intuição, a  aventura, o imensurável, o desconhecido).
                    
Tirinhas bem humoradas de Eva Furnari. 
LIVRO DIDÁTICO

  • Veículo da ciência.
  • Traz informação objetiva, conceitos gerais, leis e regras, noções consensuais e oficiais.
  • Linguagem rigorosa, científica,  apresenta  fatos.
  • Utiliza-se da ficção de forma utilitária (tem uma mensagem única: ensinar determinado conceito/tema).
  • Remete ao conhecimento científico, aos valores e regras estabelecidos.
  • Representa uma lição, sobre determinado conteúdo.
  • Conhecimento utilitário, objetivo, ligado ao pensamento científico importante  na sala de aula.
                                                                         AZEVEDO. Ricardo. Livros didáticos e livros de literatura:                                                                          chega de confusão. Revista Presença Pedagógica. BH:                                                                                Ed. Dimensão, 1999. nº 25.

É importante que as professoras atentem para essas diferenças, de modo que os livros de literatura infantil não venham a se enquadrar na dimensão pragmática, pois a função das histórias para criança é a estético-formativa, a educação da sensibilidade, reunindo a beleza da palavra e das imagens. O essencial é a qualidade da emoção. (Lúcia Pimentel Goes, 1991). 
Para que uma história prenda a atenção das crianças, esta deve despertar sua curiosidade, enriquecer sua vida e estimular sua imaginação.   

quinta-feira, 14 de julho de 2016

SER DIFERENTE

        Rebeca nasceu primeiro. era uma menininha de cabelo cacheado, magrela e de pouca fala. Flora, ao contrário, nasceu três anos depois, cabelo escorrido e muito louro, gasguita de tão falante que era. Elas são filhas do mesmo pai, mas de mães diferentes: cada uma tem a sua.
         Duas mães bem diferentes! A de Rebeca, mais jovem, é casada com outra pessoa, cuida da casa e nunca viveu com seu pai, apenas namorou algum tempo e então Rebeca nasceu. Já a mãe de flora, tinha trinta e nove anos quando ela nasceu, é professora, muito ativa e já teve outro casamento. Seu relacionamento com o pai de Flora e Rebeca já dura há alguns anos. 
         No meio disso tudo, o pai das meninas, um senhor de certa idade, professor, baixinho, e quase calmo quando se trata de questões mais delicadas. Um tipo de pai que é mãe!
         As meninas sabem que suas mães não desenvolveram amizade. O que o importa mesmo é que Flora e Rebeca se gostam muito, embora vivendo em casa diferentes e tendo mães diferentes. Quando elas se encontram nos finais de semana encontram tempo para conviver, brincar e aprender a se relacionar. 
         Flora tem cinco irmãos: Cristina e Vany são mais velhas, parecem mães dela. São filhas de outro casamento. Roberto e Catarina são filhos do pai com outra mulher. E tem Rebeca, nascida entre um casamento e outro do pai. 
        Cada filho mais diferente que o outro! E quando junta todo mundo, aí é que dá para notar! 
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       Um dia desses, em que o céu estava azul e a água do riacho morninha, as duas meninas estavam  brincando, quando ouviram um barulho no mato:
- Nossa Flora, tem bicho aí!
- Que nada, Re. Isso é bichinho pequeno. Não inventa monstro,tá?
- Ui! Um homem, olha lá! Vamos correr! 
- Não precisa correr, estamos no quintal de nossa casa. Vamos perguntar o que ele quer. Vai ver que quer falar com nosso pai.
       O homem se aproxima. É baixinho, tem ar sereno, porém muito magro e totalmente sem cabelos. 
- O senhor deseja falar com alguém? - perguntou Flora.
- Quem é o senhor? Vai chegando assim... nao bate palma. - falou Rebeca desconfiada. 
- Não se assustem, sou de outro planeta e não vou demorar. Nosso planeta tem procurado contato com seres diferentes de nós no jeito de ser. Por gostar do planeta Terra estamos sempre por aqui. Cheguei hoje e percebi que vocês tem um modo diferente de conviver. 
- Como? - falou Flora toda curiosa.
- Pela conversa que ouvi ali atrás da árvore, vocês não tem a mesma mãe, mas tem o mesmo pai, tem irmãos por parte de pai, mas não de mãe e tem irmãos por parte de mãe, mas não de pai. Como é isso? Fiquei muito curioso, e então resolvi me apresentar mesmo correndo o risco de vocês se assustarem - disse o homem.
- É, mas você é bem parecido com a gente, só tem umas coisinhas estranhas, mas tudo bem. Você já está aí e nós já vimos que você é mesmo muito curioso! Senta aqui que nós vamos te contar tudinho! - falou flora. 
- No meu planeta não sentamos; ficamos em pé ou deitamos.
- Credo, que canseira! - murmurou Flora.
          As meninas ficaram um tempão explicando como era a família delas. Pergunta pra lá, pergunta pra cá, no final do papo as meninas viram o homem silencioso e pensativo.
- Você entendeu como as coisas acontecem aqui na Terra? perguntou Rebeca.
- Na Terra há modos diferentes de viver e de formar uma família.
        Explicam... Explicam...
- Estou confuso! No meu planeta esse tipo de situação não acontece. Quando vivemos com alguém é para o milênio e, além disso não temos tantos filhos. Tudo é controlado.
- Milênio? - pergunta Flora.
- É, vivemos mil anos e depois voltamos a ser partículas do universo. Por vivermos muito, não é possível ter tanta gente nascendo. O ciclo de vida é mais longo para nós.
- Tá vendo, vocês são diferentes de nós. Não vivemos tanto tempo assim - observa Flora.
         Rebeca fala com conhecimento das coisas: 
- Se você andar mais um pouco pela Terra, vai conhecer modos diferentes de viver em família, coisa que nem a gente que vive aqui conhece muito bem. Ouvimos falar...
- Faz o seguinte, você anda por aí mais um pouco e sempre que você conhecer uma família que vive de um jeito diferente, vem contar pra gente - foi logo dizendo Flora.
- Prometo! - garantiu ele.
         Com o irmão  Roberto se aproximando, o homem sumiu como por encanto.
- Que animação é essa? Do que estavam falando? 
- Nóóós...? - exclamaram em coro.
- Sempre falamos de coisas muito sérias! Coisas que os adultos custam a entender, né Flora? 
- É... 
          As duas meninas caíram na risada.

Em julho de 1988 escrevi este conto infantil, motivada pela filharada que se reunia em nossa casa. 

Sugestão de livro

Um livro que recomendo para o trabalho pedagógico com as crianças é: FOLCLORE INFANTIL, cuja autor é Veríssimo de Melo, publicado pela editora Itatiaia Limitada.
Discípulo de Câmara Cascudo, o autor faz uma retomada da tradição folclórica brasileira, apresentando acalantos, parlendas, travalínguas, advinhas, jogos populares e cantigas de roda.

Veríssimo mostra nesta obra a importância de mantermos  vivas as manifestações folclóricas por seu valor educativo na formação da criança. 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sugestão de livro

Literatura Infantil: gostosuras e bobices de Fanny Abramovich é um livro essencial para professores que lecional para o ensino fundamental.



terça-feira, 31 de maio de 2016

DECÁLOGO PARA O ENSINO DA LITERATURA INFANTIL

Eliane Yunes no Guia de Leitura/Ciranda de Livros editado pelo MEC, apresenta 10 itens que julgo da maior importância, quando se trata de formar leitores. Vamos a eles:

1) Era uma vez... Desenvolver na criança a capacidade de ouvir histórias e contar muitas, muitas histórias.

2) Eu falo, tu falas, nós falamos.
Na "hora da literatura", é proibido proibir falar. Toda criança deve ter a oportunidade de recontar as histórias lidas/ouvidas, além de criar as suas.

3) Em cena: ação.
Sempre que possível, encenar, pelo menos, capítulos dos livros em sala de aula; tipo leituras de peças, sem requintes e afetação. Dramatizar ajuda a desembaraçar o nível de expressão, descobrir a musicalidade, o ritmo da linguagem.
 
4) Abaixo a teoria.
Criança não precisa saber se o narrador é de primeira ou terceira pessoa, se existe personagem protagonista ou antagonista. A abordagem não deve ser colocada em termos de nomenclatura, mas em termos de compreensão das relações.

5) Literatura não é pedagogia.
O exercício da literatura deve ser lúdico e conduzir ao PRAZER, e nunca se converter em espaço de imitação mecânica. Quem não gosta, pode aprender a gostar quando descobrir o universo do texto como distinto das matérias de aprendizagem curricular. 

6) Prova, nunca mais!
Se devemos ter uma linha de aproveitamento do aluno, certamente não serão provas e averiguações que poderão assegurar a eficácia do trabalho. Toda avaliação da leitura será indireta.

7) Livro não é castigo.
A escola deve proporcionar MOTIVAÇÃO para a leitura. Descobrir este PRAZER é fundamental, longe das exigências e repressões. O livro deve estar à mão e jamais se converter em castigo subsequente às desordens em sala de aula.

8) Eleição é obrigação. 
A professora, antes de dar o livro deve levantar o assunto e o tema de duas ou três obras e pedir que os alunos elejam a leitura comum. Isso faz com que participem desde o início do processo de leitura.

9) Renovar é preciso.
Se a professora souber distinguir literatura e arte de pedagogia e aprendizagem, se souber distinguir ideologia repressora de uma reflexão libertadora, não há por que temer o novo e repetir indefinidamente os velhos (ainda bons) autores.

10) Leitura é co-produção
Não é obrigar o aluno inicialmente a ler sozinho: será difícil manter a concentração e o ritmo. Assinalar a visão do autor, verificar a visão dos leitores e discutir, a partir do texto, as relações entre ARTE e VIDA: você vai descobrir que um texto são mil textos.  

Nicolas, meu neto aos quase três anos, descobrindo o prazer da leitura, mesmo sem saber ler.
Fase ideal para oportunizar o contato com a literatura infantil. 
Foto: Ana Arlinda de Oliveira

quinta-feira, 26 de maio de 2016

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE QUESTIONA O TERMO "LITERATURA INFANTIL"

Fonte:Ana Arlinda de Oliveira 

O gênero Literatura Infantil tem a meu ver existência duvidosa. Haverá música infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literária deixa de constituir alimento para o espírito da criança ou do jovem e se  dirige ao espírito do adulto? Qual o bom livro para crianças que não seja lido com interesse pelo homem feito? Qual o livro de viagens aventuras, destinado aos adultos, que não possa ser dado a crianças, desde que vazado em linguagem simples e isento de matéria de escândalo? Observados alguns cuidados de linguagem e decência, a distinção se desfaz. Será a criança um ser à parte? Ou será a Literatura Infantil algo de mutilado, de reduzido, de desvitalizado – porque coisa primária, fabricada na persuasão de que a imitação da infância é a própria infância?  Vêem-me à lembrança as miniaturas de árvores com que se diverte o sadismo botânico dos japoneses; não são organismos naturais e plenos, são anões vegetais.
 A redução do homem que a Literatura Infantil implica dá produtos semelhantes. Há uma tristeza cômica no espetáculo desses cavalheiros amáveis e dessas senhoras não menos gentis, que, em visita a amigos, se detêm a conversar com as crianças de colo, estas inocentes e sérias, dizendo-lhes toda sorte de frases em linguagem de gente grande, apenas deformada no final das palavras e edulcoradas na pronúncia...  Essas pessoas fazem oralmente, e sem o saber, Literatura Infantil.
                                                            Andrade, Carlos Drummond. Literatura Infantil. In: Confissões de           Minas. Literatura Obra Completa. Rio de janeiro: Aguilar Editora, 1955).

Deburgel, apud Oliveira (2005), concebe o conceito de Literatura Infantil como: 

 Um conjunto orgânico e múltiplo de significantes plásticos e literários que balbuciam significados possíveis deixados ao discernimento do leitor. Por trás dos significantes aparentes, para além das imagens e das palavras, ele continua, através da ação do próprio leitor, a estar de empenhado nas vias da imaginação e da criação. Em si, o livro não é senão meio livro, numa indicação daquilo que pode querer dizer  (Duburgel, apud Oliveira, 2005, p. 125). 

Qual é a função da Literatura Infantil?
 - Estético-formativa - educação da sensibilidade e conhecimento por intermédio da palavra e das imagens.  
 - Promoção do gosto de ler, por meio da palavra literária e para deleite do universo da ficção, permitindo desfrutar a leitura no contexto da imaginação. 
Assim, um objetivo central da Literatura Infantil é a interlocução intensa da criança com o livro.   

  Obras de referência:  
 OLIVEIRA, Ana Arlinda de. Leitura, Literatura infantil e Doutrinação da Criança.  Editora da                                Universidade Federal de Mato Grosso: Cuiabá-MT: Entrelinhas, 2005. 
 DUBORGEL, Bruno.Imaginário e Pedagogia. Lisboa: Horizontes Pedagógicos, 1992.          

segunda-feira, 16 de maio de 2016

APRESENTAÇÃO

Este blog objetiva apresentar a Literatura Infantil como elemento importante para a formação da criança. Entendo que professores e pais, envolvidos na formação leitora das crianças, seja na escola ou em casa, podem usufruir da beleza e do conhecimento que ela oferece. Assim, a partir de minha experiencia acadêmica, intento sugerir e analisar obras que foram importantes para mim como leitora, nas aulas lecionadas, em artigos e dissertações que orientei no Mestrado em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso - campus de Cuiabá-MT.