1) Era uma vez... Desenvolver na criança a capacidade de ouvir histórias e contar muitas, muitas histórias.
2) Eu falo, tu falas, nós falamos.
Na "hora da literatura", é proibido proibir falar. Toda criança deve ter a oportunidade de recontar as histórias lidas/ouvidas, além de criar as suas.
3) Em cena: ação.
Sempre que possível, encenar, pelo menos, capítulos dos livros em sala de aula; tipo leituras de peças, sem requintes e afetação. Dramatizar ajuda a desembaraçar o nível de expressão, descobrir a musicalidade, o ritmo da linguagem.
4) Abaixo a teoria.
Criança não precisa saber se o narrador é de primeira ou terceira pessoa, se existe personagem protagonista ou antagonista. A abordagem não deve ser colocada em termos de nomenclatura, mas em termos de compreensão das relações.
5) Literatura não é pedagogia.
O exercício da literatura deve ser lúdico e conduzir ao PRAZER, e nunca se converter em espaço de imitação mecânica. Quem não gosta, pode aprender a gostar quando descobrir o universo do texto como distinto das matérias de aprendizagem curricular.
6) Prova, nunca mais!
Se devemos ter uma linha de aproveitamento do aluno, certamente não serão provas e averiguações que poderão assegurar a eficácia do trabalho. Toda avaliação da leitura será indireta.
7) Livro não é castigo.
A escola deve proporcionar MOTIVAÇÃO para a leitura. Descobrir este PRAZER é fundamental, longe das exigências e repressões. O livro deve estar à mão e jamais se converter em castigo subsequente às desordens em sala de aula.
8) Eleição é obrigação.
A professora, antes de dar o livro deve levantar o assunto e o tema de duas ou três obras e pedir que os alunos elejam a leitura comum. Isso faz com que participem desde o início do processo de leitura.
9) Renovar é preciso.
Se a professora souber distinguir literatura e arte de pedagogia e aprendizagem, se souber distinguir ideologia repressora de uma reflexão libertadora, não há por que temer o novo e repetir indefinidamente os velhos (ainda bons) autores.
10) Leitura é co-produção
Não é obrigar o aluno inicialmente a ler sozinho: será difícil manter a concentração e o ritmo. Assinalar a visão do autor, verificar a visão dos leitores e discutir, a partir do texto, as relações entre ARTE e VIDA: você vai descobrir que um texto são mil textos.
Nicolas, meu neto aos quase três anos, descobrindo o prazer da leitura, mesmo sem saber ler.
Fase ideal para oportunizar o contato com a literatura infantil.
Foto: Ana Arlinda de Oliveira
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