terça-feira, 31 de maio de 2016

DECÁLOGO PARA O ENSINO DA LITERATURA INFANTIL

Eliane Yunes no Guia de Leitura/Ciranda de Livros editado pelo MEC, apresenta 10 itens que julgo da maior importância, quando se trata de formar leitores. Vamos a eles:

1) Era uma vez... Desenvolver na criança a capacidade de ouvir histórias e contar muitas, muitas histórias.

2) Eu falo, tu falas, nós falamos.
Na "hora da literatura", é proibido proibir falar. Toda criança deve ter a oportunidade de recontar as histórias lidas/ouvidas, além de criar as suas.

3) Em cena: ação.
Sempre que possível, encenar, pelo menos, capítulos dos livros em sala de aula; tipo leituras de peças, sem requintes e afetação. Dramatizar ajuda a desembaraçar o nível de expressão, descobrir a musicalidade, o ritmo da linguagem.
 
4) Abaixo a teoria.
Criança não precisa saber se o narrador é de primeira ou terceira pessoa, se existe personagem protagonista ou antagonista. A abordagem não deve ser colocada em termos de nomenclatura, mas em termos de compreensão das relações.

5) Literatura não é pedagogia.
O exercício da literatura deve ser lúdico e conduzir ao PRAZER, e nunca se converter em espaço de imitação mecânica. Quem não gosta, pode aprender a gostar quando descobrir o universo do texto como distinto das matérias de aprendizagem curricular. 

6) Prova, nunca mais!
Se devemos ter uma linha de aproveitamento do aluno, certamente não serão provas e averiguações que poderão assegurar a eficácia do trabalho. Toda avaliação da leitura será indireta.

7) Livro não é castigo.
A escola deve proporcionar MOTIVAÇÃO para a leitura. Descobrir este PRAZER é fundamental, longe das exigências e repressões. O livro deve estar à mão e jamais se converter em castigo subsequente às desordens em sala de aula.

8) Eleição é obrigação. 
A professora, antes de dar o livro deve levantar o assunto e o tema de duas ou três obras e pedir que os alunos elejam a leitura comum. Isso faz com que participem desde o início do processo de leitura.

9) Renovar é preciso.
Se a professora souber distinguir literatura e arte de pedagogia e aprendizagem, se souber distinguir ideologia repressora de uma reflexão libertadora, não há por que temer o novo e repetir indefinidamente os velhos (ainda bons) autores.

10) Leitura é co-produção
Não é obrigar o aluno inicialmente a ler sozinho: será difícil manter a concentração e o ritmo. Assinalar a visão do autor, verificar a visão dos leitores e discutir, a partir do texto, as relações entre ARTE e VIDA: você vai descobrir que um texto são mil textos.  

Nicolas, meu neto aos quase três anos, descobrindo o prazer da leitura, mesmo sem saber ler.
Fase ideal para oportunizar o contato com a literatura infantil. 
Foto: Ana Arlinda de Oliveira

quinta-feira, 26 de maio de 2016

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE QUESTIONA O TERMO "LITERATURA INFANTIL"

Fonte:Ana Arlinda de Oliveira 

O gênero Literatura Infantil tem a meu ver existência duvidosa. Haverá música infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literária deixa de constituir alimento para o espírito da criança ou do jovem e se  dirige ao espírito do adulto? Qual o bom livro para crianças que não seja lido com interesse pelo homem feito? Qual o livro de viagens aventuras, destinado aos adultos, que não possa ser dado a crianças, desde que vazado em linguagem simples e isento de matéria de escândalo? Observados alguns cuidados de linguagem e decência, a distinção se desfaz. Será a criança um ser à parte? Ou será a Literatura Infantil algo de mutilado, de reduzido, de desvitalizado – porque coisa primária, fabricada na persuasão de que a imitação da infância é a própria infância?  Vêem-me à lembrança as miniaturas de árvores com que se diverte o sadismo botânico dos japoneses; não são organismos naturais e plenos, são anões vegetais.
 A redução do homem que a Literatura Infantil implica dá produtos semelhantes. Há uma tristeza cômica no espetáculo desses cavalheiros amáveis e dessas senhoras não menos gentis, que, em visita a amigos, se detêm a conversar com as crianças de colo, estas inocentes e sérias, dizendo-lhes toda sorte de frases em linguagem de gente grande, apenas deformada no final das palavras e edulcoradas na pronúncia...  Essas pessoas fazem oralmente, e sem o saber, Literatura Infantil.
                                                            Andrade, Carlos Drummond. Literatura Infantil. In: Confissões de           Minas. Literatura Obra Completa. Rio de janeiro: Aguilar Editora, 1955).

Deburgel, apud Oliveira (2005), concebe o conceito de Literatura Infantil como: 

 Um conjunto orgânico e múltiplo de significantes plásticos e literários que balbuciam significados possíveis deixados ao discernimento do leitor. Por trás dos significantes aparentes, para além das imagens e das palavras, ele continua, através da ação do próprio leitor, a estar de empenhado nas vias da imaginação e da criação. Em si, o livro não é senão meio livro, numa indicação daquilo que pode querer dizer  (Duburgel, apud Oliveira, 2005, p. 125). 

Qual é a função da Literatura Infantil?
 - Estético-formativa - educação da sensibilidade e conhecimento por intermédio da palavra e das imagens.  
 - Promoção do gosto de ler, por meio da palavra literária e para deleite do universo da ficção, permitindo desfrutar a leitura no contexto da imaginação. 
Assim, um objetivo central da Literatura Infantil é a interlocução intensa da criança com o livro.   

  Obras de referência:  
 OLIVEIRA, Ana Arlinda de. Leitura, Literatura infantil e Doutrinação da Criança.  Editora da                                Universidade Federal de Mato Grosso: Cuiabá-MT: Entrelinhas, 2005. 
 DUBORGEL, Bruno.Imaginário e Pedagogia. Lisboa: Horizontes Pedagógicos, 1992.          

segunda-feira, 16 de maio de 2016

APRESENTAÇÃO

Este blog objetiva apresentar a Literatura Infantil como elemento importante para a formação da criança. Entendo que professores e pais, envolvidos na formação leitora das crianças, seja na escola ou em casa, podem usufruir da beleza e do conhecimento que ela oferece. Assim, a partir de minha experiencia acadêmica, intento sugerir e analisar obras que foram importantes para mim como leitora, nas aulas lecionadas, em artigos e dissertações que orientei no Mestrado em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso - campus de Cuiabá-MT.